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Uma em cada cinco pessoas terá depressão
Marília, 28 de abril de 2017

De acordo com o médico, em geral, em algum momento de suas vidas, aproximadamente uma em cada cinco pessoas experimentará pelo menos um episódio depressivo.  “É um quadro clínico que vai muito além da tristeza como é pensado muitas vezes, pois há uma limitação e às vezes uma incapacitação na realização das atividades que o indivíduo sempre realizou e por isso atualmente está entre as principais causas de afastamento do trabalho”.

Porém, pelo fato do diagnóstico ser clínico, dependente de uma avaliação médica através de uma entrevista psiquiátrica com o exame do estado mental. “E neste ponto ainda há uma relutância das pessoas em aceitar que ela realmente existe, pois não há exames de sangue ou de imagem que confirmem o diagnóstico” ressalta.

Para o psiquiatra a expressão “mal do século”, dá uma sensação de profecia negativa, como se uma peste negra fosse assolar as pessoas.  “Assim prefiro tratar a depressão como um problema de saúde pública, algo que precisa ser visto pelas pessoas como uma doença que tem tratamento, e que buscar uma ajuda não significa fracasso”.

O quadro clínico da depressão é muito variável, os sintomas frequentemente presentes são o humor deprimido (sentimento de tristeza, vazio) e a anedonia (acentuada diminuição do prazer nas atividades) na maior parte do dia, por pelo menos algumas semanas seguidas. Em crianças pode haver irritabilidade e em idosos não é incomum a apatia. Muitas vezes o adulto, por exemplo, não quer mais realizar atividades de lazer que gostava antes, a criança não quer mais ir para escola onde tem vários amigos e o idoso não consegue ver mais sentido nas suas ocupações. Em adultos é frequente uma falta de reatividade do humor a eventos positivos, mas em crianças isso pode não ocorrer, sendo frequente a criança ficar feliz diante de eventos positivos mesmo estando deprimida. Um sentimento comum é o de culpa sobre coisas que a pessoa julga ter feito de errado, uma sensação de inutilidade com uma autoestima muito baixa. Frequentemente ocorrem anormalidades das funções neurovegetativas com diminuição ou aumento de apetite e sonolência excessiva ou insônia. Não é incomum também a pessoa deprimida apresentar lentificação psicomotora, com desânimo e falta de energia, sendo mais rara a presença de agitação psicomotora.

Podem estar presentes em casos mais graves ideias de suicídio que acompanham a desesperança e ainda sintomas psicóticos, como por exemplo, o indivíduo ouvir vozes ordenando para ele se suicidar. Em crianças e idosos os sintomas somáticos são mais comuns, queixando-se frequentemente de dores de cabeça, dores na barriga e no corpo. As crianças também podem também ficar mais agressivas acompanhando o humor irritado.

Os tratamentos mais utilizados atualmente incluem a psicoterapia, o uso de medicamentos (como por exemplo, os antidepressivos) e em alguns casos o uso da Eletroconvulterapia e Estimulação Magnética Transcraniana.

Nos quadros de depressão moderada, o uso de antidepressivo é a primeira linha de tratamento. Psicoterapias também são indicadas em associação ao medicamento, preferencialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Terapia Interpessoal, por apresentarem maior respaldo científico de evidência clínica de eficácia. Abordagens psicodinâmicas, ainda que careçam de estudos mais consistentes, são opções terapêuticas comumente utilizadas.

A prevenção de um quadro depressivo está muito relacionada a conseguir ter o máximo possível de hábitos saudáveis, incluindo o trabalho que você faz (quantidade e prazer envolvido), a realização de atividade física regularmente, ter uma alimentação balanceada, evitar o consumo de álcool, dormir no período noturno na quantidade apropriada que varia de seis a dez horas, dependendo do indivíduo e ter uma boa qualidade de socialização com amigos e família.

SERVIÇO

Renato Stroppa de Agostinho é formado em Psiquiatria Geral pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA); em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e titulação de Especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

O médico é preceptor do Ambulatório de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Residência Médica de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA)

Ele atende Psiquiatria Geral – Psiquiatria da Infância e da Adolescência, na Clínica Guanás: Rua Guanás, 87 – Salgado Filho – Marilía-SP. O telefone é (14) 3433-3088.

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